domingo, 17 de maio de 2009

Natureza Glaciar / Projecto II - 2ºAno / Daniel Gonçalves 21266 / José Guerra 21311



Seguindo o tema que nos propusemos explorar, mantivemos a vontade de exprimir semelhanças entre o projecto e o conceito de “natureza glaciar”.


Para tal, e após várias ideias, chegámos à forma sugerida neste projecto final. Esta ideia partiu de vários conceitos e opções que achamos relevantes para a concepção do espaço arquitectónico: a grande disparidade da forma obtida em cada lado da entrada principal foi um objectivo a cumprir para evidenciar a diferença entre o gelo quebrante e o suave, ou até mesmo em derretimento, tendo também a intenção de expor de uma forma mais ampla a entrada para os espaços comerciais e habitacionais, a forma da entrada principal expõe a ideia de desfragmentação, entra as duas partes do edifício, simbolizado principalmente pela forma irregular do vidro existente, e pelo revestimento metálico, que o deferência do resto do edifício.
O excesso propositado de vidro no rés-do-chão do edifício simboliza a água por debaixo da estrutura de gelo, quase como um iceberg, estando pegado à rocha no 1º andar, isto devido ao desnível de alturas entre o norte e sul do prédio. Desta forma, conseguimos também exprimir o grave problema que afecta hoje em dia o planeta, tendo a forma do edifício relação com o descongelar do gelo que preocupa a humanidade. Para tentar manter o branco do gelo e as linhas que tínhamos criado nas fachadas, tivemos uma atenção acrescida na abertura de janelas e varandas para as habitações do projecto, abrindo poucas janelas, mas amplas.





Entre os vários pisos existe uma rotação e alargamento à medida que percorremos visualmente o prédio de baixo para cima. Este pormenor vem dar às fachadas do edifício a ideia de sobreposição de placas, realçado pela iluminação natural e artificial dos espaços entre as lajes de piso para piso. O espaço que obtivemos entre as duas partes mais evidentes tornou-se o ponto de separação entre dois espaços igualmente semelhantes à forma glaciar e, ao mesmo tempo, muito diferentes interior e exteriormente aquando a sua observação. E porque este corredor de entrada separa o edifício, criámos também uma linha em vidro que o percorre, simbolizando assim uma desfragmentação que se escapa entre os vários blocos de gelo. Na parte de trás do edifício (Sul), acrescentámos uma plataforma no espaço do terreno, com intenção de criar um espaço calmo e atraente, seguindo portanto as linhas onduladas das paredes das habitações, e resolvendo o problema da diferença de pé direito do primeiro andar com o jardim.


Um dos maiores enigmas que tivemos que superar foi a má exposição solar do projecto e, ao colocar a entrada para as habitações a sul, cobriríamos toda a luz para o primeiro piso dos apartamentos duplex. Como resposta a este problema, criámos um corredor que funciona tanto como privado e público, já que a separação entre o exterior e o corredor se evidencia apenas com ligas metálicas, de forma a que as pessoas tenham sempre uma percepção (não sendo demasiado nítida) da realidade exterior ou interior, dependendo do local onde nos posicionamos.


Quanto aos interiores, as divisões que estes apartamentos constituem são bastante comuns, tendo três duplexes (dois deles T2 e um T3) na zona ondulada da construção e dois apartamentos (um T3 e T4) por piso na zona recortada. Nestes últimos, tivemos em conta a definição de “open space”, já que as cozinhas se integram no mesmo espaço que as salas. No rés-do-chão criámos uma livraria e um café, uma vez que nos foi proposto uma restrição prévia de construção de um espaço comercial adjacente ao edifício.